Assisti a Toy Story 3 há algumas semanas atrás. Lindo, até chorei. É sério. O filme
é muito bonitinho, mas acho que o que mexeu comigo mesmo, no final do filme – se
você assistiu vai entender – foi esse tom de despedida da infância. Porque, embora eu tenha 20 anos e não tenha deixado a infância há tão pouco tempo assim, crescer dói. E parece que, ultimamente, as pessoas têm sentido mais isso. Talvez seja por isso que vivemos no que eu tenho costumado chamar de “Era da Nostalgia”.
Meu irmão fez aniversário há alguns dias atrás – 27 de julho, mais especificamente. Ele completou 18 anos (o caçula, ai caramba!). E ganhou de presente o jogo para Nintendo Wii “New Super Mario Bros”. Eu adorei, é claro; afinal, estou há muito tempo querendo jogar. Nossa, foram noites em claro até “fecharmos” o jogo. Fecharmos entre aspas mesmo, pois falta o mundo especial. Ah, aquilo foi tão bom. Jogar Super Mario, estilo plataforma, com meu irmão. Foi como um estranho déjà vu, uma lembrança destorcida, modificada. Tudo igual, mas diferente – dessa vez você balança um controle sem fio e o Mario voa. Quanta tecnologia.

Foi enquanto eu jogava que percebi como não sou apenas eu que tenho passado por esse período de “volta no tempo”. Jogos clássicos relançados no estilo plataforma – além de Mario, temos Donkey Kong Country vindo por aí -; o último Toy Story; relançamentos de clássicos como Rei Leão, A Bela e a Fera e Titanic em breve em versões 3D no cinema; filmes como Apenas o Fim, repleto de referências à cultura pop dos anos 90. Nunca minha infância e os tempos atuais andaram tão juntos. É o passado repaginado. As mais novas tecnologias utilizadas para tornar ainda mais atraentes os grandes clássicos. Porque não importa se agora é 3D, sem fio, com sensor; ainda são as mesmas grandes paixões da infância de toda uma geração.
Às vezes penso que as pessoas nascidas entre o final da década de 80 e o começo da de 90 estão tendo sérias dificuldades em se tornar adultas. E o mercado tem se aproveitado muito bem disso, com todo esse tipo de lançamento que citei. Para mim, há uma explicação: somos uma geração que já bem jovem é cobrada no mercado de trabalho como se tivesse anos de experiência; temos que ser multifuncionais, falar vários idiomas, ter curso superior, pós, mestrado, doutorado, temos que fazer intercâmbio, fazer cursos de computação… A cobrança é tanta, o mundo é tão assustador, que o jeito é regressar, mesmo se por alguns momentos, aos bons tempos em que a maior tristeza que se podia ter era perder seus tazos para um coleguinha de classe.
Aliás, não me surpreenderia nada se os tazos voltassem. Talvez dessa vez eles venham em 3D, ou com realidade aumentada. Nunca se sabe. Mas que ia ter muita gente grande comprando, ah, ia….

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