Eu não gosto de usar este blog para escrever sobre minha vida - exceto quando acho que o texto fornecerá algo relevante à vida de alguém: seja linkando com um assunto interessante ou apenas transformando-se num texto bonito. Mas hoje é diferente. Hoje eu escreverei pura e simplesmente para desabafar.
Meu avô faleceu hoje. Ele ficou doente, estava se tratando, estava indo bem, começou a decair, foi internado e, hoje, foi embora. Pensei inicialmente em não ir visitá-lo no hospital. Não pensem em egoísmo, mas não costumo ficar acompanhando pessoas em hospitais, porque não gosto de guardar lembranças de dor e sofrimento em minha mente. Quero uma última visão da pessoa feliz, em casa. Porém, imaginei que seria importante falar com ele, que seria bom que ele me visse, que visse que eu me importava. E eu fui. E ver a surpresa em seus olhos valeu tanto à pena, que não sei o que teria sido de mim se eu não tivesse ido. Poder dar um beijo nele, ouvir ele dizer o quanto estava feliz por estarmos ali - eu, minha mãe e Adrian.
Escrever essas palavras me custa muito fôlego para engolir as lágrimas. Eu não sei qual a relação que vocês - que leem este texto - têm com seus avôs. Mas eu cresci passando muito tempo na casa de minha avó. Consequentemente, com meu avô.
É difícil. É a perda mais próxima que já tive. A gente sabe que tem que estar preparado para isso, a vida é assim. Mas quem disse que algum de nós é capaz de se preparar para uma perda?
Não sei ao certo dizer como vai ser, porque é só o começo, eu acho. Haverá momentos em que as lembranças surgirão e tudo ficará mais difícil. Mas eu sei que a vida continua, a gente fica com as memórias, mas como uma nostalgia boa, eu espero.
Não quero que este texto seja um depoimento emocionante, não quero ninguém chorando dizendo “que lindo”. É só um desabafo. É só minha maneira de expressar que dói, e dói muito. Mas que eu agradeço pelos momentos bons e espero que, onde quer que ele esteja, esteja bem.
Beijo, vô.
Design by Simon Fletcher. Powered by Tumblr.
© Copyright 2010