Não, não falarei sobre amigos que morreram. O “foram” aí do título não se refere à morte.Falarei dos amigos que foram e não são mais. Foram o quê? Não são mais o quê? Os que foram presentes, próximos, amigos. Os que não o são mais.
Amizade é uma daquelas coisas que você aprende que são para sempre – diferente do relacionamento amoroso, o qual você cresce preparado para acabar, mais cedo ou mais tarde. Ninguém avisa que a amizade acaba também e, assim como o amor, de maneiras muitas vezes inexplicáveis e não compreensíveis – ou ao menos sem motivos palpáveis.
Quantos amigos você já deixou para trás na sua vida? E não conte aqueles com os quais você brigou, teve desentendimentos e nunca mais falou. Não pense nos falsos amigos, ou naqueles que você decepcionou. Pense nas amizades que tinham tudo para dar certo, pense nas pessoas que faziam seu dia mais alegre, e depois pense em como elas se afastaram da sua vida. Falta de tempo, distância, rotinas diferentes? Difícil dizer, não é?
Aposto que cada um possui um amigo que mora muito longe, alguém que vê raramente, mas com quem você ainda mantém contato, troca emails, conversa no MSN, alguém que participa da sua vida, pelo menos até onde é possível. E todos possuem amigos que muitas vezes estão mais próximos, também possuem email, celular, MSN, mas com quem você simplesmente… “perdeu o contato”.
Admito que às vezes sofro com essas perdas. Não porque me faltem amigos. Em outras épocas já faltaram sim, mas hoje possuo pessoas maravilhosas com quem compartilho meu dia, e isso me basta como dose de amizade. Mas quantas vezes não me pego com saudade daquelas amizades que tinham tudo para dar certo! Aquelas pessoas com quem nos divertimos tanto, com quem nos dávamos tão bem, que agradecíamos pro ter conhecido, e que de repente não estão mais do nosso lado. Muitas vezes me pego culpando-as. Agredindo-as mentalmente por terem simplesmente abandonado nossa amizade. Por não terem ligado mais, por não terem aparecido naquele passeio que eu, depois de muito ter planejado, havia combinado como forma de matarmos a saudade. Ainda sinto um aperto no peito, ainda penso que poderia ser diferente. Mas a culpa não foi apenas deles, não é? Eu podia ter ligado mais vezes, mandado notícias… quem sabe?
Mais triste do que a nostalgia que fica é minha estúpida esperança de que ainda há tempo de a amizade renascer. Não que ela tenha morrido, mas as coisas não são as mesmas, por mais que eu deseje. Quem sabe eu ainda ligue para um deles e marque o tão esperado encontro. Eu ansiosamente aguardarei nos encontrarmos, para que possamos rir de coisas fúteis, conversar por horas e contar sobre nossas vidas, como sempre fizemos. Mas não será assim. Nós nos encontraremos, nos colocaremos a par das novidades mais marcantes, iremos rir de algumas lembranças, quem sabe em algum momento surgirá um silêncio desagradável, vamos combinar fazer mais coisas juntos, não perder contato… mas será só. Podemos até voltar a conversar mais depois disso, mas a intimidade nunca mais será a mesma. Não haverá nunca mais um telefonema no meio da madrugada para contar uma novidade, ou uma conversa chorosa sobre algum problema. Não pensaremos mais um no outro como primeira opção de conselheiro ao enfrentarmos algum problema. Quando estivermos muitos tristes, não enviaremos mais um sms pedindo uns minutinhos para conversar.
E sabe por quê? Na verdade, nem eu. É porque as coisas acabam assim mesmo, eu acho. As pessoas passam por nossa vida, muitas vão e algumas poucas ficam. Não significa que não tenham sido amigas. Mas talvez a amizade seja como o amor, e como já dizia Vinícius de Morais: “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”.
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