Já foi possível notar que este Tumblr está há algum tempo sem atualizações. O mesmo tem acontecido até mesmo em meus perfis no Twitter e no Facebook. Acontece que, além de eu estar ocupadíssima nos últimos meses, estou tentando reformular um pouco o conteúdo que tenho compartilhado. As mídias sociais já estão repletas de futilidades, e meu intuito sempre foi oferecer um conteúdo no mínimo relevante. É claro que muitas vezes nos rendemos ao narcisismo e nos pegamos comentando fatos levianos de nossas próprias vidas, como foi o final de semana, uma piadinha interna… Não condeno esses comentários e nem mesmo digo que deixarei de fazê-los (no momento certo, ma mídia social certa). Mas eu simplesmente me odiaria se fosse apenas isso que eu tivesse para compartilhar.
Volto em breve com novidades ;)
Escrever é uma ótima válvula de escape. Seja para você mesmo, seja para um grande amigo, seja para uma plateia virtual invisível (e quem sabe até inexistente, sejamos honestos e não muito pretensiosos).
Escrevo porque é meu trabalho, escrevo porque é meu hobby e às vezes escrevo porque preciso. Não me comunicar. Simplesmente despejar.
Talvez as coisas fossem mais fáceis se a válvula de escape mais usada pelos seres humanos fosse simplesmente escrever.
Watterson battled against pressure from publishers to merchandise his work, something he felt would cheapen his comic. He refused to merchandise his creations on the grounds that displaying Calvin and Hobbes images on commercially sold mugs, stickers, and T-shirts would devalue the characters and their personalities. (Source: Wikipedia)
Lindo :)
Parabéns para nós publicitários :)
Tirinha: Vida em Agência
Acho que ficou meio óbvio que meu último post era para alguém, então resolvi prestar minha “homenagem” ao Well abertamente.
Acho que quase tudo o que eu vou dizer aqui eu já disse diretamente a ele, mas creio que ele merece que essas palavras sejam expostas.
O Well, muito mais do que um colega de trabalho, se tornou meu amigo. Fora da agência mesmo. Como amigo, ele sabe que ainda vai ter que me aturar por muito tempo. Como colega de trabalho, fico triste em perdê-lo hoje. Será muito difícil substituí-lo, encontrar alguém com quem eu trabalhe tão bem, com quem minhas ideias fluam tão facilmente, alguém que me complete criativamente. Temos uma ótima sincronia, e quando você percebe que você e sua dupla de criação completam a frase um do outro e escrevem as mesmas coisas ao mesmo tempo no msn, pode ter certeza de que daí sairão ótimos trabalhos.
Eu gostaria também de dizer que o Well me ensinou muito. Absurdamente. Mais do que ele mesmo sabe. Pois, além do que ele me ensinou conscientemente, todas as vezes que me mostrou coisas novas, coisas que ele descobriu, na sua imensa - e exemplar - curiosidade, além de tudo o que, mesmo sem eu perguntar ou pedir, ele me explicou - desde o meu primeiro dia na Full Haus, quando eu sentei na ponta da mesa onde agora estou, completamente perdida, e ele pacientemente me deu uma aula de HTML.. Além de tudo isso, simplesmente conviver com ele me ensinou muito. O Well é um profissional exemplar. Possui uma pró-atividade incrível. Sua dedicação e paixão ao trabalho, sua sede em descobrir e fazer sempre além do que lhe é requisitado, sua maneira atenciosa e sempre disposta a ajudar, me serviram como exemplo muitas vezes. Acho importante que ele saiba que trabalhar com ele me enriqueceu em muitas coisas, e que hoje me considero uma profissional melhor. E uma pessoa melhor.
Parece uma tremenda puxação de saco. Mas não é. Me sinto honrada de ter tido a oportunidade de trabalhar com ele. Espero que ainda possamos formar uma dupla, nem que seja nos freelas da vida. Nos damos bem, não faríamos feio, tenho certeza.
Eu não preciso desejar boa sorte a ele. Ele possui todo o potencial para ser “o cara” no que faz. Eu quero apenas dizer parabéns. Parabéns por essa nova conquista que ele com certeza merece. Vou sentir saudades.
Fuck yeah, Well.
Tumblr (semi)abandonado merece um pequeno texto, mesmo que breve. Hoje, o assunto é meio pessoal.
Há pessoas que nos ensinam muitas coisas. Algumas porque têm o dom e a paciência de sentar ao seu lado e mostrar como se faz. Outras, por simplesmente serem pessoas incríveis, cujos atos e qualidades são ensinamentos diários, com os quais aprendemos apenas em observar.
Quando uma só pessoa é capaz de lhe ensinar muitas coisas, dessas duas maneiras, você pode se considerar realmente sortudo. E, mais do que isso, você percebe que se tornou uma pessoa melhor do que antes, por todas as coisas boas que pôde absorver.
Pessoas assim merecem tudo de bom. De verdade.

Você provavelmente conhece uma versão deste texto. A música Amor pra recomeçar, do Frejat, foi baseada nele. No entanto, este poema é erroneamente atribuído a Victor Hugo. O verdadeiro autor é o brasileiro Sérgio Jockymann. Os Votos foi publicado originalmente na Folha da Tarde, jornal de Porto Alegre, em 30 de Dezembro de 1978.
Palavras muito bonitas que resumem meus votos para todos neste novo ano.
Feliz 2011!
OS VOTOS
Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconseqüentes sejam corajosos e fiéis.
E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.
Desejo depois que você seja útil, não insubstituívelmente útil mas razoavelmente útil.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com que os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.
E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, nem um mês e muito menos uma semana,
mas um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes.
E que estão estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um João-de-barro erguer triunfante seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bom por nada.
Desejo também que você plante uma semente por mais ridículo que seja e acompanhe seu crescimento dia a dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isto é meu.
Só para que fique claro quem é o dono de quem.
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que essa frugalidade não impeça você de abusar quando o abuso se impor*.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
Desejo por fim que,
sendo mulher, você tenha um bom homem
e que sendo homem tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez e novamente de agora até o próximo ano acabar.
E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor pra recomeçar.
E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar.
Gosto de escrever mais do que poderia descrever. Excita-me ter o controle das palavras, consola-me saber bem onde colocá-las. Deveria, penso eu, escrever sempre que pudesse. Não apenas como exigência de minha profissão, mas como um hobby descompromissado, como válvula de escape - pequenas doses de textos calmantes em dias tumultuados. Mas não escrevo. É o tempo. Será? Talvez sejam minha mãos. Não sei. Sei apenas que, como num quadro de Dalí, sinto ponteiros e horas escorrerem por meus dedos e, inutilmente, agarro-me a eles, procurando um vão no qual eu consiga encaixar as palavras até então enclausuradas apenas em minha mente. Sem sucesso, esvai-se o tempo, e eu, conformada, digo que “é a falta de tempo que não me permite escrever mais”. Acostumo-me a simplesmente deixar as palavras irem embora. Exatamente como teria acontecido com este exato texto que agora escrevo, se eu não tivesse tido a coragem de admitir que, caso eu queira, o tempo pode esperar um pouquinho antes de pingar no chão.
Carlos Domingos, em seu livro Criação sem Pistolão - Segredos para você se tornar um grande criativo.
Fui ao MASP esta terça-feira - dia em que a entrada é gratuita, é sempre bom lembrar.
A exposição de Wim Wender traz, a cada fotografia, uma incrível sensação de imersão àqueles que a observam. Sua fotos, muitas vezes, parecem extremamente comuns. Basta um segundo olhar, mais atento, mais curioso, para que sejamos tomados pelas peculiaridades, ora mais expressivas, ora mais tênues, presentes nos lugares inesperados retratados pelo fotógrafo. Uma visão diferente que consegue captar a alma absolutamente ímpar de cada um dos locais fotografados. É como se, por um momento, estivéssemos lá também. Fica, depois, a inquietante sensação do quanto seria excitante descobrir tais lugares, explorá-los, ou apenas observá-los, em sua calma imutabilidade, como numa fotografia de Wenders.